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unhas vermelhas

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Ela tinha os dedos manchados - não todos, só o indicador e o polegar - seria esmalte vermelho? Não, a mancha é de automutilação, o vermelho é sangue que seca e apodrece debaixo das unhas, ela não sabe como esconder tal evidência de seu crime sangrento. Quem sabe pintando as unhas de vermelho o esconda? Mas, ao esconder, far-se-ia desaparecer de vez...?
Meu Imortal Corrigir Estou tão cansada de estar aqui Reprimida por todos os meus medos infantis E se você tiver que ir, eu desejo que você vá logo Pois sua presença ainda permanece aqui E isso não vai me deixar em paz Essas feridas parecem não querer cicatrizar Essa dor é muito real Há simplesmente tantas coisas que o tempo não pode apagar Quando você chorou eu enxuguei todas as suas lágrimas Quando você gritou eu lutei contra todos os seus medos Eu segurei a sua mão por todos esses anos Mas você ainda tem tudo de mim Você costumava me cativar pela sua luz ressonante Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás Seu rosto assombra meus únicos sonhos agradáveis Sua voz expulsou toda a sanidade em mim Essas feridas parecem não querer cicatrizar Essa dor é muito real Há simplesmente tantas coisas que o tempo não pode apagar Quando você chorou eu enxuguei todas as suas lágrimas Quando você gritou eu lutei contra todos os seus medos ...

areia movediça

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Eu conseguir ir a um lugar pior do que "chegar ao fim do poço, e cavar um buraco fundo e me enterrar debaixo do fundo do poço". Conseguir conhecer alguém que se acostumou com o fim do poço e se mantém lá, ele me apresentou esse "fundo do poço movediça" onde quanto mais me esforço para sair mais fico estagnada no local, ou mais me afundo e eu apresentei a ele a mola para saltar o poço e subir na vida de novo, enquanto ele estar vivendo a vida dele normalmente, eu fico aqui sem conseguir me mover nesta lama que é dele, estou aprisionada e, se eu tento me mover percebo afundar mais, o que me faz ficar imóvel vendo a vida passar e me entristeço por não fazer nada da minha vida, me sinto inútil, sem função, as vezes desejando que a areia me engula e eu descanse em paz

Leve desconforto

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Me sinto estranha na minha própria pele, como se eu não pertencesse a ela, vontade de rasgá-la e explodir de dentro para fora, gritando o sufocamento que sinto Não me pertenço em mim mesma, não me reconheço em mim mesma, sinto um desconforto que incomoda mas não me mobiliza a mudar, nem saberia por onde começar esta mudança. Sensação de não viver minha vida, sensação de ver a vida passando e eu assistindo como telespectadora de mim mesma.

esborço de uma relação

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escultura "amor" de Alexander Milov 2015 Éramos dois adultos com cabeça de criança, ou duas crianças brincando de ser adulto. Brincávamos de casinha, eu sendo a esposa e ele o esposo sem saber exatamente qual a função de cada um. O amor não era exatamente um amor, era só um ensaio do que poderia ser, já que ambos nunca tinham sido amados na vida, não sabiam como expressá-lo e qual a medida certa para tal. Tudo era experimento, tudo era novo como o mundo para a criança, tudo era tentativa e erro, só que com consequências reais. Até o momento onde os erros se tornaram maiores que o próprio amor; e este não conseguiu se sustentar por ser muito novo, frágil, instável. A relação se tornou um presídio, já não era mais tão divertido brincar de casinha, brincar de ter uma família - com as noções de família que cada um trazia - era pesado, maçante e até perigoso; arriscado alguém se ferir (de todas as formas possíveis).  E então eis que brincadeira se acaba com inúm...
Como posso sentir mais conforto nas brigas do que num convívio harmonioso?  A sensação de familiaridade - de lar - habita nos confrontos... É o que conheço desde pequena; é como eu aprendi a me relacionar. Não me relacionar assim faz minha vida vazia, pois não consigo ocupar minha mente com algo que demanda tanta energia como uma briga: elaborando frases e situações diversas para uma mesma discussão- arquitetando situações; remoer, me incomodar, enraivecer-me, odiar, me desgastar, ocupar a cabeça que agora não há com o que preencher. Será que sentia um certo prazer masoquista nisto? Com que tipo de prazer posso substituir? Será que me importo o bastante para substituir?

mudanças

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tô a quase 10 anos neste blog, cheia de crises de identidade (em todas as áreas, inclusive no meu curso), pensei em trancar para pensar (mesmo sabendo que era biologia), me formei e passei 2 anos parada por não saber que área da grande biologia eu me encaixava, perdida rodando atrás do rabo, rejeitando de todas as formas a licenciatura. Tentei vender arte reutilizada mas até meu ex disse que "eu não sabia vender, ao invés disso estava dando aula" e foi um dia no carro com ele pensando em uma dinâmica para ensinar proteína ele me disse "porque você pensa nessas coisas? você não dá aula". foi aí que refleti o quanto eu penso em fazer uma aula legal, dinâmica para as crianças conseguirem aprender, distribuindo conselhos pros colegas de faculdade para uma aula melhor. Como não percebi algo que estava na minha frente? Este ano dei algumas aulas particulares e percebi que o vazio instalado há tanto tempo, a desmotivação e a falta de propósito na vida foi preenchido c...